Combate aos incêndios. França recebe meios aéreos incluindo de Portugal através de mecanismo da UE

Combate aos incêndios. França recebe meios aéreos incluindo de Portugal através de mecanismo da UE

As regiões francesas de Gironde e Landes estão a ser devastadas por incêndios há vários dias, levando Emmanuel Macron a solicitar “a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia para o envio de recursos adicionais”.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Desde terça-feira, estão dois grandes incêndios florestais a devastar a Nova Aquitânia, no departamento de Gironde, ao norte da bacia de Arcachon, e no departamento de Landes, perto de Biscarrosse. Outros incêndios também começaram nos departamentos de Var e Alta Córsega. Os bombeiros locais do SDIS (Serviço Departamental de Bombeiros e Resgate) estão sobrecarregados desde julho.

As chamas já consumiram 8.700 hectares e as autoridades ordenaram a evacuação de Cap-Ferret. Mais de 400 pessoas foram retiradas de barco da península e já chegaram ao cais de Arachon. Também foram disponibilizados barcos de transporte em quatro cais, e todos os moradores foram aconselhados a sair afirmou a autarquia.

A península de Cap-Ferret está ameaçada por um incêndio de provável origem acidental que consome uma floresta a norte da bacia de Arcachon desde quarta-feira e que já queimou 8.700 hectares.

No sudeste do país, o incêndio que afeta a região de Var há três dias apresentou vários focos de reacendimento.

Entretanto, na noite de quinta-feira, o presidente francês solicitou a ativação do mecanismo de proteção civil da União Europeia e espera receber rapidamente reforços aéreos europeus para combater os incêndios, incluindo dois aviões portugueses.

"Poderemos contar rapidamente com reforços de dois aviões anfíbios Canadair da Croácia, dois aviões Air Tractor portugueses, bem como dois helicópteros de transporte pesado Black Hawk da República Checa e da Eslováquia", detalhou Macron, através da rede social X.

De origem provavelmente acidental, este incêndio em França, que começou na quarta-feira ao início da tarde, obrigou, por prevenção, as autoridades a retirarem mais de 20.000 pessoas na área da floresta das Landes de Gascogne, perto da bacia de Arcachon, uma região já afetada por fogos violentos no verão de 2022.

"As nossas forças de segurança estão concentradas numa verdadeira batalha contra os incêndios florestais", disse o ministro francês do Interior, Laurent Núñez. "A nação está com vocês."

Nenhuma vítima foi registada até ao momento e apenas uma casa isolada foi destruída, três outras foram parcialmente atingidas pelas chamas e uma caravana queimou-se, segundo o último balanço. Estão mobilizados cerca de 700 bombeiros contra as chamas, apoiados por dezenas de militares e guardas. Segundo várias fontes ouvidas pela agência France-Presse (AFP), o fogo terá sido provocado por uma máquina de desbaste.

As autoridades privilegiam a hipótese de acidente e a câmara proibiu "todos os trabalhos florestais que utilizem motores térmicos" no departamento até novo aviso.


Nesta fase, 2026 situa-se em segundo lugar em áreas queimadas em toda a UE nas últimas duas décadas de medidas, de acordo com dados de satélite do sistema Effis analisados pela AFP. Mas é o pior ano em França, e um dos piores em Espanha e em Itália.

Em toda a Europa, três ondas de calor consecutivas nesta temporada intensificaram a seca, sobrecarregaram o abastecimento de água e deixaram a vegetação extremamente seca, contribuindo para que os incêndios florestais já tenham devastado mais território este ano do que a média anual das últimas duas décadas. O calor também foi apontado como responsável por milhares de mortes.

C/agências
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